tenho me cortado bastante. existem cortes em meus joelhos. caídas que não pude levantar. meus dedos, eles estão cortados também. são leves feridas que nascem do toque nas coisas.
"hoje encontrei dentro de um livro uma velha carta amarelecida, rasguei-a sem ao menos saber de quem seria... eu tenho um medo horrível a essas marés montantes do passado, com suas quilhas afundadas, com meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas... ai de mim, ai de ti ó velho mar profundo, eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!"
dos cortes faço tranças que me tranportam passado-futuro. desses cortes nascem vertigens. hoje eu dei a luz à vertigem do mundo e minhas lágrimas cantaram para celebrar. chorar é um recurso que utilizo para me cortar menos. no entanto, toda água de mim secou. e agora eu seco a água do mundo na esperança que minhas feridas sequem também. não, eu não aprendi a chegar aqui. vim cavando meus buracos no que restou de luz. eu venho de dentro do grito. fui parida pelo estalo das minhas articulações cansadas. e desde então me ergo sobre meus pés para alcançar o vazio.
"hoje encontrei dentro de um livro uma velha carta amarelecida, rasguei-a sem ao menos saber de quem seria... eu tenho um medo horrível a essas marés montantes do passado, com suas quilhas afundadas, com meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas... ai de mim, ai de ti ó velho mar profundo, eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!"
dos cortes faço tranças que me tranportam passado-futuro. desses cortes nascem vertigens. hoje eu dei a luz à vertigem do mundo e minhas lágrimas cantaram para celebrar. chorar é um recurso que utilizo para me cortar menos. no entanto, toda água de mim secou. e agora eu seco a água do mundo na esperança que minhas feridas sequem também. não, eu não aprendi a chegar aqui. vim cavando meus buracos no que restou de luz. eu venho de dentro do grito. fui parida pelo estalo das minhas articulações cansadas. e desde então me ergo sobre meus pés para alcançar o vazio.
"a vida é um incêndio: nela dançamos, salamandras mágicas que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta? em meio aos toros que desabam, cantemos a canção das chamas!"
(a carta e inscrição para uma lareira de mário quintana)
Um comentário:
quisera eu das minhas mazelas extrair tão bem.
tão lindo.
minha diva, te venero.
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