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sexta-feira, 24 de julho de 2009

uma, de papel

Hoje minha tarde foi separar os teus pedaços que ainda guardo profundo em mim, numa distância segura aos olhos. Tenho aprendido nesses últimos meses a olhar pra mim. Porque eu me deixei e deixo sempre. E você sabe, você sempre me pede o cuidado comigo mesma. Mas é difícil, e desconfio que você saiba disso também...
Escrevo-te porque quero ser relida. E isto que te escrevo é pedido para que tu leias a ti mesma, para que você abra as caixas e envelopes esquecidos. Ou simplesmente para que você ouça o pulsar do seu corpo e siga para onde ele te leva. Eu sei que é difícil, mas me sinto necessidade de te pedir cuidado consigo mesma.
E desde que tudo se fez tão longe, não reconheço mais suas vontades. E nem te deixo ver as minhas. E às vezes tudo o que preciso são áreas de respiro. Ar nos pulmões. Porque é o que me resta. Mas confesso que ouvindo o meu desritmo às veses me pego rindo esses dias. É o que te falei sobre os pedaços de vontade que agarro.

sábado, 18 de julho de 2009

eu ia te acordar, caso quisesse conversar, mas achei melhor não. já estamos tão distantes mesmo. não importa o lugar que você dorme, em qualquer um deles a cama vai ser ocupada por você. e não é pela pessoa que está do seu lado que tudo irá mudar, e você sabe disso. goze do escuro e do frio. eu precisei deles pra dar meus pequenos passos, talvez (e só talvez) você também precise.

por isso escrevo reto no meu diário, porque não quero nada bonito, quero uma mentira menos falsa, só isso. poder criar coisas em que eu acredite, porque infelizmente preciso delas, senão fico andando morta por aí. e mesmo assim, nada que escrevo é certeza, porque isso não existe. então é esperar para morrer de novo e tentar levantar. eu fico feliz quando percebo que ainda tenho vontade das coisas, aliás, passei a dar valor pra muita coisa besta que eu nem ligava, só porque não aguentava mais me arrastar pelos dias...

ainda não fui num consultório porque não tenho coragem. então me engano, me arrasto, me saboto e às vezes me sorrio pra continuar. eu não sei se aguentaria encarar minhas verdades inventadas, então eu fujo. e sei que vai chegar o dia que o peso sobre minhas pernas será maior do que posso aguentar e terei que procurar alguma ajuda, ou fazer alguma loucura. mas agora eu consegui sair da boca do abismo e me arrastar até tem um gosto doce na boca, então conviver comigo está sendo bom. e eu tento ser mais leal também.

ver a nossa vida se desfazer aos nossos olhos pode ser uma das piores coisas que existem. as relações, as escolhas, as certezas, as dúvidas, os sonhos, os medos. quando não sobra nada ou muito pouco, é bem difícil. mas assim a vida se faz. começamos a morrer a partir do momento em que nascemos e quanto mais distantes desse momento mais próximos da morte e dos rompimentos, dos finais, do seco. eu me sequei bastante, mas estou aprendendo a dar uma rasteira na vida (ou em mim mesma que criei tudo isso). e assim passei a caminhar no lento, ao lado de minhas incertezas.

tento não me obrigar a fazer as coisas. e quando sinto uma pontinha de vontade própria, tento me agarrar à ela. preciso das coisas que me dão prazer, tenho que ceder à elas como cedo às minhas dores. assim me sinto um pouco mais viva.
ainda estou aprendendo.

um bom dia, e um sorriso de lua pra você.

eu, que não escrevo cartas

não vou escrever tão bonito assim, porque me estou fazendo escrever reto pra me entender melhor. comecei a fazer um diário, sem fantasia. um diário de cartografias, pra eu saber onde é que me encontro. não que eu tenha descoberto alguma coisa até agora, mas com ele fica mais claro o que é e o que não é bom pra mim. ou seja, onde eu me engano. é nisso que eu tenho me preocupado. porque se sabotar é maior merda que a gente faz. e a gente sempre faz.

estava muito bem no início da semana, agora nem tanto, mas lembrar dele me faz sorrir. me dopei também, o que não é bom, mas se eu quiser farei novamente. eu sei que me saboto, mas ainda não aprendi a parar de fazer isso. talvez eu aprenda ou talvez eu morra antes.

quanto a você, estou toda a ouvidos,
que é o que me resta a oferecer.
um beijo e meu amor.