"My funny Valentine
Sweet comic Valentine
You make me smile with my heart
Your looks are laughable
Unphotographable
Yet you're my favourite work of art"
sexta-feira, 31 de julho de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
uma, de papel
Hoje minha tarde foi separar os teus pedaços que ainda guardo profundo em mim, numa distância segura aos olhos. Tenho aprendido nesses últimos meses a olhar pra mim. Porque eu me deixei e deixo sempre. E você sabe, você sempre me pede o cuidado comigo mesma. Mas é difícil, e desconfio que você saiba disso também...
Escrevo-te porque quero ser relida. E isto que te escrevo é pedido para que tu leias a ti mesma, para que você abra as caixas e envelopes esquecidos. Ou simplesmente para que você ouça o pulsar do seu corpo e siga para onde ele te leva. Eu sei que é difícil, mas me sinto necessidade de te pedir cuidado consigo mesma.
E desde que tudo se fez tão longe, não reconheço mais suas vontades. E nem te deixo ver as minhas. E às vezes tudo o que preciso são áreas de respiro. Ar nos pulmões. Porque é o que me resta. Mas confesso que ouvindo o meu desritmo às veses me pego rindo esses dias. É o que te falei sobre os pedaços de vontade que agarro.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
A concepção de informe se dá no livre jogo de complementaridade do seu oposto: a ordem da forma. Necessário se fazer valer deste jogo, onde uma força é o que mantém a existência da outra. Assim também se vale a arte. A imagem dúbia da boca descrita por Michel Leiris na revista Documents, revela o ideal que se contradiz em si mesmo: "de um lado, "a boca ocupa uma situação privilegiada, sendo o lugar da palavra, o orifício respiratório, o antro onde se sela o pacto do beijo"; de outro, ela produz "o cuspe, para de um só golpe cair ao último grau de escala orgânica com uma repugnante função de dejeção" (MORAES, 2002).
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Os olhares pela janela nunca são ter domínio sobre si.
Olhar é estar à deriva,
Ser suscetível ao vir a ser.
Estar em inúmeros lugares que se fundam no imaginário.
A neblina permite isso,
Permite essa fuga ao que não é ou ao que quase é.
Esses não-lugares que se formam,
São os desejos despercebidos daqueles olhares.
Olhar é estar à deriva,
Ser suscetível ao vir a ser.
Estar em inúmeros lugares que se fundam no imaginário.
A neblina permite isso,
Permite essa fuga ao que não é ou ao que quase é.
Esses não-lugares que se formam,
São os desejos despercebidos daqueles olhares.
do pouco que tinha, construía. lapidando cuidadosamente sua maquiagem, percebera que a mentira tornou-se sua única verdade e motivação. se lapidava diariamente boca, olhos, face e por fim, o belo sorriso no rosto e a meiguice que de fato era sua. só não sabia que a cada movimento de lapidação, cada sorriso no espelho, era um corte que sangrava imperceptível. então cada vestido, cada rodopio, cada canção tornaram-se pouco a pouco suas hemorragias internas. e tão pouco soubera que tudo não se passava de alucinação, a não ser quando desenterrou os pequenos restos de sobrevôos do seu coração descompassado.
sábado, 18 de julho de 2009
eu ia te acordar, caso quisesse conversar, mas achei melhor não. já estamos tão distantes mesmo. não importa o lugar que você dorme, em qualquer um deles a cama vai ser ocupada por você. e não é pela pessoa que está do seu lado que tudo irá mudar, e você sabe disso. goze do escuro e do frio. eu precisei deles pra dar meus pequenos passos, talvez (e só talvez) você também precise.
por isso escrevo reto no meu diário, porque não quero nada bonito, quero uma mentira menos falsa, só isso. poder criar coisas em que eu acredite, porque infelizmente preciso delas, senão fico andando morta por aí. e mesmo assim, nada que escrevo é certeza, porque isso não existe. então é esperar para morrer de novo e tentar levantar. eu fico feliz quando percebo que ainda tenho vontade das coisas, aliás, passei a dar valor pra muita coisa besta que eu nem ligava, só porque não aguentava mais me arrastar pelos dias...
ainda não fui num consultório porque não tenho coragem. então me engano, me arrasto, me saboto e às vezes me sorrio pra continuar. eu não sei se aguentaria encarar minhas verdades inventadas, então eu fujo. e sei que vai chegar o dia que o peso sobre minhas pernas será maior do que posso aguentar e terei que procurar alguma ajuda, ou fazer alguma loucura. mas agora eu consegui sair da boca do abismo e me arrastar até tem um gosto doce na boca, então conviver comigo está sendo bom. e eu tento ser mais leal também.
ver a nossa vida se desfazer aos nossos olhos pode ser uma das piores coisas que existem. as relações, as escolhas, as certezas, as dúvidas, os sonhos, os medos. quando não sobra nada ou muito pouco, é bem difícil. mas assim a vida se faz. começamos a morrer a partir do momento em que nascemos e quanto mais distantes desse momento mais próximos da morte e dos rompimentos, dos finais, do seco. eu me sequei bastante, mas estou aprendendo a dar uma rasteira na vida (ou em mim mesma que criei tudo isso). e assim passei a caminhar no lento, ao lado de minhas incertezas.
tento não me obrigar a fazer as coisas. e quando sinto uma pontinha de vontade própria, tento me agarrar à ela. preciso das coisas que me dão prazer, tenho que ceder à elas como cedo às minhas dores. assim me sinto um pouco mais viva.
ainda estou aprendendo.
um bom dia, e um sorriso de lua pra você.
por isso escrevo reto no meu diário, porque não quero nada bonito, quero uma mentira menos falsa, só isso. poder criar coisas em que eu acredite, porque infelizmente preciso delas, senão fico andando morta por aí. e mesmo assim, nada que escrevo é certeza, porque isso não existe. então é esperar para morrer de novo e tentar levantar. eu fico feliz quando percebo que ainda tenho vontade das coisas, aliás, passei a dar valor pra muita coisa besta que eu nem ligava, só porque não aguentava mais me arrastar pelos dias...
ainda não fui num consultório porque não tenho coragem. então me engano, me arrasto, me saboto e às vezes me sorrio pra continuar. eu não sei se aguentaria encarar minhas verdades inventadas, então eu fujo. e sei que vai chegar o dia que o peso sobre minhas pernas será maior do que posso aguentar e terei que procurar alguma ajuda, ou fazer alguma loucura. mas agora eu consegui sair da boca do abismo e me arrastar até tem um gosto doce na boca, então conviver comigo está sendo bom. e eu tento ser mais leal também.
ver a nossa vida se desfazer aos nossos olhos pode ser uma das piores coisas que existem. as relações, as escolhas, as certezas, as dúvidas, os sonhos, os medos. quando não sobra nada ou muito pouco, é bem difícil. mas assim a vida se faz. começamos a morrer a partir do momento em que nascemos e quanto mais distantes desse momento mais próximos da morte e dos rompimentos, dos finais, do seco. eu me sequei bastante, mas estou aprendendo a dar uma rasteira na vida (ou em mim mesma que criei tudo isso). e assim passei a caminhar no lento, ao lado de minhas incertezas.
tento não me obrigar a fazer as coisas. e quando sinto uma pontinha de vontade própria, tento me agarrar à ela. preciso das coisas que me dão prazer, tenho que ceder à elas como cedo às minhas dores. assim me sinto um pouco mais viva.
ainda estou aprendendo.
um bom dia, e um sorriso de lua pra você.
18-07-09
meu dia começa quando
não aguento mais abrir os olhos
de dor tão forte
a luz tem feito meus olhos doerem
e ter que despedir e desabrçar
de dor tão forte
a luz tem feito meus olhos doerem
e ter que despedir e desabrçar
e todos esses des que a vida traz
que me dão tanto medo
também não sei porquê me brota
que me dão tanto medo
também não sei porquê me brota
o que já tinha dado por findado
me alivio assim,
me alivio assim,
quando não aguento mais abrir os olhos
de dor tão forte
que se desmancha no teu sorriso,
de dor tão forte
que se desmancha no teu sorriso,
e todos os des que me vêm depois dele
me dão tanto medo
me dão tanto medo
que se desmancham no meu sorriso
eu, que não escrevo cartas
não vou escrever tão bonito assim, porque me estou fazendo escrever reto pra me entender melhor. comecei a fazer um diário, sem fantasia. um diário de cartografias, pra eu saber onde é que me encontro. não que eu tenha descoberto alguma coisa até agora, mas com ele fica mais claro o que é e o que não é bom pra mim. ou seja, onde eu me engano. é nisso que eu tenho me preocupado. porque se sabotar é maior merda que a gente faz. e a gente sempre faz.
estava muito bem no início da semana, agora nem tanto, mas lembrar dele me faz sorrir. me dopei também, o que não é bom, mas se eu quiser farei novamente. eu sei que me saboto, mas ainda não aprendi a parar de fazer isso. talvez eu aprenda ou talvez eu morra antes.
quanto a você, estou toda a ouvidos,
estava muito bem no início da semana, agora nem tanto, mas lembrar dele me faz sorrir. me dopei também, o que não é bom, mas se eu quiser farei novamente. eu sei que me saboto, mas ainda não aprendi a parar de fazer isso. talvez eu aprenda ou talvez eu morra antes.
quanto a você, estou toda a ouvidos,
que é o que me resta a oferecer.
um beijo e meu amor.
um beijo e meu amor.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
17-07-08
quase agora é quase
sinto um arrepio frio no centro da espinha dorsal
meu coração está lento
meu coração está lento
sinto que ele vai parar a qualquer
meu corpo se contorce
minha coluna dói
como o coração
e seu esforço para pulsar
um poço que deixa o sangue acumular
ocupo os ouvidos com o pulso
desritmo.
sinto um arrepio frio no centro da espinha dorsal
meu coração está lento
meu coração está lento
sinto que ele vai parar a qualquer
meu corpo se contorce
minha coluna dói
como o coração
e seu esforço para pulsar
um poço que deixa o sangue acumular
ocupo os ouvidos com o pulso
desritmo.
10-07-05
e naquele momento
era dominada pela música
por dentre danças intermináveis
escondia-se a magia
(que somente ela poderia ver)
não havia dúvidas que
(transcender)
era algo que simplesmente fazia parte dela
e que talvez somente ela
(e sua dança)
pudessem entender...
era dominada pela música
por dentre danças intermináveis
escondia-se a magia
(que somente ela poderia ver)
não havia dúvidas que
(transcender)
era algo que simplesmente fazia parte dela
e que talvez somente ela
(e sua dança)
pudessem entender...
04-07-06
quando eu te encontrei e descobri que estava apaixonada? quando eu fiz as malas só pra poder te beijar? quando a gente viu cinco pôr-do-sol em um dia? quando a gente foi pra cachoeira e tudo virou cinema? quando você fez a minha vida ser melhor ainda? quando ouvíamos jack johonson sem cessar? quando os beijos eram intermináveis? quando você ficava me olhando dormir quando eu não estava dormindo? quando no dia fora do tempo a gente passou a se chamar de namorada? quando eu te deixei o meu colar e tive que ir embora? quando você chorou daquele jeito lindo que eu amo? quando eu beijei as suas lágrimas e disse que era para não chorar? quando a gente se amou a distância? quando as cartas triplicaram em quantidade e em amor também, visto que ele sempre aumenta? quando a gente passou por crises à distância? quando a saudade começou a doer insuportávelmente? quando nos reencontramos? quando nos beijamos e foi como a primeira vez? quando o mar era cúmplice do nosso amor? quando nós conversamos e choramos e nos entendemos? quando dançamos juntas? quando você me fazia sorrir que nem criança? quando todos percebiam mas não falavam nada? quando nos entendiamos no olhar? quando nós riamos e faziamos palhaçadas de madrugada? quando tinhamos medo de alguém aparecer? quando eramos prazer? quando você me pediu em casamento? quando eu fui embora com você? quando eu te preparava lanches e te esperava em casa pra almoçar? quando você me mandou mensagem dizendo que estava morrendo de saudade sendo que estávamos sem se ver há algumas horas? quando você chegava dizendo que sentiu a minha falta o dia inteiro? quando eu entrei no chuveiro vestida e molhei o seu cabelo? quando você me disse que eu fazia tudo parecer um filme? quando ficávamos horas na cama? quando a noite era muito pouco para nós? quando você passou? quando você me agradeceu? quando saíamos pras feiras? quando pegamos chuva? quando faziamos massagem? quando assistiamos filme? quando demos risada? quando brigávamos sem motivo? quando pedimos desculpa? quando fomos amor?
22-07-07
me joguei aberta pro mar
me lancei
num inspiro
agarro tempo
danço como vento
e o meu vestido
de cor nua
meventotodameventotodamevendotodame(in)ventotoda
me lancei
num inspiro
agarro tempo
danço como vento
e o meu vestido
de cor nua
meventotodameventotodamevendotodame(in)ventotoda
"Tenho a intenção de narrar, à margem do relato que eu vou empreender, apenas os episódios marcantes de minha vida tal como posso concebê-la fora de seu plano orgânico, ou seja, na própria medida em que ela está confiada aos acasos, dos menores aos maiores, e, refugando a idéia comum que dele faço, introduzir-me num mundo como que proibido, que é o das aproximações repentinas, das petrificantes coincidências, dos reflexos que vencem qualquer outro impulso mental, de acordes batidos como no piano, de clarões que fariam ver, mas ver de fato, se não fossem ainda mais rápidos que os demais. Trata-se de fatos com um valor intrínseco pouco verificável, sem dúvida, mas que, por seu caráter absolutamente inesperado, violentamente incidental, e pelo gênero de associações de idéias suspeitas que despertam, são um modo de nos fazer passar das filandras à teia de aranha, ou seja, ao que seria a coisa mais cintilante e graciosa do mundo, não estivesse a aranha no canto, ou ali por perto; trata-se de fatos que, ainda que sejam simplesmente constatados, a cada vez apresentam todas as aparências de um sinal, sem que se possa dizer ao certo de que sinal; que fazem com que, em plena solidão, eu descubra cumplicidades inverossímeis, que me convencem de minha ilusão toda vez que acredito estar sozinho ao leme do navio. (...)"
. { Breton } .
quarta-feira, 8 de julho de 2009
"O homem, diz Georges Bataille, "é o único animal que mata seus semelhantes com furor e obstinação"; porém, "ele é também o único que se transtorna de maneira absolutamente dilacerante coma morte de seus semelhantes". " (p. 149)
"Breton (...) escreve que é "preciso ter ido ao fundo da dor humana, ter descoberto sus estranhas capacidades, para poder saudar com o mesmo dom ilimitado de si mesmo aquilo que vale a pena viver"." (p. 153)
In: A transgressão do antropomorfismo. MORAES, Eliane Robert. O corpo impossível. São Paulo, Iluminuras, 2002.
"Breton (...) escreve que é "preciso ter ido ao fundo da dor humana, ter descoberto sus estranhas capacidades, para poder saudar com o mesmo dom ilimitado de si mesmo aquilo que vale a pena viver"." (p. 153)
In: A transgressão do antropomorfismo. MORAES, Eliane Robert. O corpo impossível. São Paulo, Iluminuras, 2002.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
só queria escrever esse era seu pensamento de fato no entanto pôs-se a desenrolar outros atos costurou por trinta minutos uma folha grossa de papelão com uma fina agulha de costura desenhou pontos milimetricamente calculados para que suas linhas não terminadas fossem de espaçamento iguais e paralelas então começou seu percurso de auto flagelação mental desenhando linha por linha com a força de quem sabe ainda não poderia menos dona de si menos corpo de si e pôs-se fio a fio dedos vermelhos em algumas passadas agulha lhe escapara os dedos doídos espetava-se no prazer indolor de ver nas pontas de seus dedos nascerem bolhas e dores que restariam pelos dias seguintes suas marcas invisíveis aos olhos dos ocupados insensíveis a si
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