do pouco que tinha, construía. lapidando cuidadosamente sua maquiagem, percebera que a mentira tornou-se sua única verdade e motivação. se lapidava diariamente boca, olhos, face e por fim, o belo sorriso no rosto e a meiguice que de fato era sua. só não sabia que a cada movimento de lapidação, cada sorriso no espelho, era um corte que sangrava imperceptível. então cada vestido, cada rodopio, cada canção tornaram-se pouco a pouco suas hemorragias internas. e tão pouco soubera que tudo não se passava de alucinação, a não ser quando desenterrou os pequenos restos de sobrevôos do seu coração descompassado.
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