sexta-feira, 24 de julho de 2009

uma, de papel

Hoje minha tarde foi separar os teus pedaços que ainda guardo profundo em mim, numa distância segura aos olhos. Tenho aprendido nesses últimos meses a olhar pra mim. Porque eu me deixei e deixo sempre. E você sabe, você sempre me pede o cuidado comigo mesma. Mas é difícil, e desconfio que você saiba disso também...
Escrevo-te porque quero ser relida. E isto que te escrevo é pedido para que tu leias a ti mesma, para que você abra as caixas e envelopes esquecidos. Ou simplesmente para que você ouça o pulsar do seu corpo e siga para onde ele te leva. Eu sei que é difícil, mas me sinto necessidade de te pedir cuidado consigo mesma.
E desde que tudo se fez tão longe, não reconheço mais suas vontades. E nem te deixo ver as minhas. E às vezes tudo o que preciso são áreas de respiro. Ar nos pulmões. Porque é o que me resta. Mas confesso que ouvindo o meu desritmo às veses me pego rindo esses dias. É o que te falei sobre os pedaços de vontade que agarro.

Nenhum comentário: