do pouco que tinha, construía. lapidando cuidadosamente sua maquiagem, percebera que a mentira tornou-se sua única verdade e motivação. se lapidava diariamente boca, olhos, face e por fim, o belo sorriso no rosto e a meiguice que de fato era sua. só não sabia que a cada movimento de lapidação, cada sorriso no espelho, era um corte que sangrava imperceptível. então cada vestido, cada rodopio, cada canção tornaram-se pouco a pouco suas hemorragias internas. e tão pouco soubera que tudo não se passava de alucinação, a não ser quando desenterrou os pequenos restos de sobrevôos do seu coração descompassado.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
sábado, 18 de julho de 2009
18-07-09
meu dia começa quando
não aguento mais abrir os olhos
de dor tão forte
a luz tem feito meus olhos doerem
e ter que despedir e desabrçar
de dor tão forte
a luz tem feito meus olhos doerem
e ter que despedir e desabrçar
e todos esses des que a vida traz
que me dão tanto medo
também não sei porquê me brota
que me dão tanto medo
também não sei porquê me brota
o que já tinha dado por findado
me alivio assim,
me alivio assim,
quando não aguento mais abrir os olhos
de dor tão forte
que se desmancha no teu sorriso,
de dor tão forte
que se desmancha no teu sorriso,
e todos os des que me vêm depois dele
me dão tanto medo
me dão tanto medo
que se desmancham no meu sorriso
quinta-feira, 11 de junho de 2009
meus braços estão magros e fracos meu rosto pálido amarelo e suas covas elas já estam inscritas no tempo. minha respiração cansada é o sacrifício para suportar o peso das pernas tão inchadas que pouco levanto. meu sangue não circula bem e através de um tubo me circulam os outros líquidos. sento-me numa cadeira confortável, estico as pernas e descanso. não me faria diferença uma cadeira desconfortável e o descanso é sempre um cansaço maior, apenas mais uma espera.
terça-feira, 26 de maio de 2009
tive minhas unhas arrancadas
hoje meu sangue pisado é só um ponto
no meio de unhas crescidas
essas mesmas unhas que já apontaram
essas mesmas unhas que já cortaram
descansam esquecidas
em poças d'água que secaram com o tempo
essas mesmas unhas que já tocaram fogo
essas mesmas unhas que já se perderam
adormecem envelhecidas
pobres jazidas
hoje meu sangue pisado é só um ponto
no meio de unhas crescidas
essas mesmas unhas que já apontaram
essas mesmas unhas que já cortaram
descansam esquecidas
em poças d'água que secaram com o tempo
essas mesmas unhas que já tocaram fogo
essas mesmas unhas que já se perderam
adormecem envelhecidas
pobres jazidas
sexta-feira, 1 de maio de 2009
brinco no rodar das cores da minha saia
escrevo comentários de minhas ações
contemplo pois não posso ir além.
planto e vejo crescer.
estou cultivando sentimentos.
aprendi sobre o vento e a chuva
e como eles passam por mim.
criei uma superfície que me impediu ver
e precisei respirar fundo
para sentir as queimaduras de que me escondi.
eu vi tudo morrer na minha frente.
e plantei de novo.
escrevo comentários de minhas ações
contemplo pois não posso ir além.
planto e vejo crescer.
estou cultivando sentimentos.
aprendi sobre o vento e a chuva
e como eles passam por mim.
criei uma superfície que me impediu ver
e precisei respirar fundo
para sentir as queimaduras de que me escondi.
eu vi tudo morrer na minha frente.
e plantei de novo.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
tenho me cortado bastante. existem cortes em meus joelhos. caídas que não pude levantar. meus dedos, eles estão cortados também. são leves feridas que nascem do toque nas coisas.
"hoje encontrei dentro de um livro uma velha carta amarelecida, rasguei-a sem ao menos saber de quem seria... eu tenho um medo horrível a essas marés montantes do passado, com suas quilhas afundadas, com meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas... ai de mim, ai de ti ó velho mar profundo, eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!"
dos cortes faço tranças que me tranportam passado-futuro. desses cortes nascem vertigens. hoje eu dei a luz à vertigem do mundo e minhas lágrimas cantaram para celebrar. chorar é um recurso que utilizo para me cortar menos. no entanto, toda água de mim secou. e agora eu seco a água do mundo na esperança que minhas feridas sequem também. não, eu não aprendi a chegar aqui. vim cavando meus buracos no que restou de luz. eu venho de dentro do grito. fui parida pelo estalo das minhas articulações cansadas. e desde então me ergo sobre meus pés para alcançar o vazio.
"hoje encontrei dentro de um livro uma velha carta amarelecida, rasguei-a sem ao menos saber de quem seria... eu tenho um medo horrível a essas marés montantes do passado, com suas quilhas afundadas, com meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas... ai de mim, ai de ti ó velho mar profundo, eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!"
dos cortes faço tranças que me tranportam passado-futuro. desses cortes nascem vertigens. hoje eu dei a luz à vertigem do mundo e minhas lágrimas cantaram para celebrar. chorar é um recurso que utilizo para me cortar menos. no entanto, toda água de mim secou. e agora eu seco a água do mundo na esperança que minhas feridas sequem também. não, eu não aprendi a chegar aqui. vim cavando meus buracos no que restou de luz. eu venho de dentro do grito. fui parida pelo estalo das minhas articulações cansadas. e desde então me ergo sobre meus pés para alcançar o vazio.
"a vida é um incêndio: nela dançamos, salamandras mágicas que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta? em meio aos toros que desabam, cantemos a canção das chamas!"
(a carta e inscrição para uma lareira de mário quintana)
quinta-feira, 9 de abril de 2009
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